A escrever nas nuvens
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publicado por Girassol, em 25.11.07 às 18:06link do post | favorito


Inventámo-nos

 

 

Inventámo-nos. Somos
Eco do mesmo apelo reconhecido,
A mesma busca
Dum resgate impossível.
A mesma fome nos ergueu
Os braços
A um gesto de encontro,
Um riso,
Um pólen na viagem do vento.
E eis que o pássaro inexistente
Pousa
Concreto e tangível
Sobre os nossos ombros.

 

Notícias do bloqueio

 

Aproveito a tua neutralidade,
o teu rosto oval, a tua beleza clara,
para enviar notícias do bloqueio
aos que no continente esperam ansiosos.

Tu lhes dirás do coração o que sofremos
os dias que embranquecem os cabelos…
tu lhes dirás a comoção e as palavras
que prendemos – contrabando – aos teus cabelos.

Tu lhes dirás o nosso ódio construído,
sustentando a defesa à nossa volta
– único acolchoado para a noite
florescida de fome e de tristezas.

Tua neutralidade passará
por sobre a barreira alfandegária
e a tua mala levará fotografias,
um mapa, duas cartas, uma lágrima…

Dirás como trabalhamos em silêncio,
como comemos silêncio, bebemos
silêncio, nadamos e morremos
feridos de silêncio duro e violento.


Vai pois e noticia como um archote
aos que encontrares de fora das muralhas
o mundo em que nos vemos, poesia
massacrada e medos à ilharga.

Vai pois e conta nos jornais diários
ou escreve com ácido nas paredes
o que viste, o que sabes, o que eu disse
entre dois bombardeamentos já esperados.

Mas diz-lhes que se mantém indevassável
o segredo das torres que nos erguem,
e suspensa delas uma flor em lume
grita o seu nome incandescente e puro.

Diz-lhes que se resiste na cidade
desfigurada por feridas de granadas
e enquanto a água e os víveres escasseiam
aumenta a raiva

e a esperança reproduz-se.

 

 

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sinto-me:
música: Trova do vento que passa - Adriano Correia de Oliveira

G. a 1 de Dezembro de 2007 às 02:02
“Por vezes, dou comigo a viver no passado; outras vezes, reparo que fugi para sonhar o futuro… É que o presente nem sempre é agradável, mas é o único espaço que tenho para fazer o bem. O presente também serve para agradecer o passado, colher os frutos e programar o futuro. Regar a árvore da vida é a tarefa do dia a dia. Não posso mudar o ontem, nem garantir para amanhã. Não vá apodrecer-me o único presente que tenho nas mãos.”
(Não Há Soluções, Há Caminhos – Vasco Pinto de Magalhães, s.j.)

Há que ter esperança de que o perdão há-de chegar em breve! Porque me arrepender-me-ei se deixei apodrecer o único presente bom que a vida me deu e que tive entre as minhas mãos!
AMT

Girassol a 3 de Dezembro de 2007 às 19:20

Minha flor do sol não aconteceu nada grave para pedires perdão.

Apenas terei de fazer uma correcção relativa aos tempos verbais que empregaste: "(...) e que tive entre as minhas mãos! (...) " Que TENS e TERÁS entre as mãos.
A outra correcção "(...) deixei apodrecer o único presente bom (...) " , certamente a Vida já te deu muitos presentes e acredito que continuará a fazê-lo!!!

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