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publicado por Girassol, em 24.11.07 às 18:16link do post | favorito

23 de Novembro de 2007 , por Rui Oliveira Marques

 

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A última campanha da cerveja Tagus, que apresenta o Orgulho Hetero como conceito de comunicação para formar uma comunidade online, originou uma queixa no ICAP (Instituto Civil da Autodisciplina da Publicidade), além de uma contra-campanha da associação Panteras Rosa (imagem de destaque) e de críticas de um dirigente do Bloco de Esquerda.

Segundo explicou ao M&P Sara Martinho, autora da queixa junto do ICAP, o objectivo da campanha da Tagus, "explicitamente manifestado no site da Tagus, é promover o convívio entre jovens de sexo oposto. Contudo, a forma como a Tagus decidiu conduzir a campanha pareceu-me intencionalmente jocosa e provocatória pela negativa". A militante dos direitos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais), que aguarda agora por uma decisão do organismo auto-regulador, acredita que esta acção "brinca com uma realidade demasiado séria e referindo-se a uma característica, a heterossexualidade, que sendo dominante e aceite por todos à partida, não discriminada, não precisa de causa ou manifesto". Sara Martinho sublinha que "Falar de Orgulho Gay e Orgulho Hetero é, como, por exemplo, falar de Orgulho Branco e Orgulho Negro sendo o primeiro associado à opressão e discriminação que lhe é, a meu ver, correctamente imputada, e o segundo, visto como a luta por liberdades e igualdades plenas na sociedade". Daí que a marca nunca lançasse, refere, "algo semelhante intitulado Orgulho Branco, por exemplo. A Tagus seria a primeira a considerar a campanha como politicamente incorrecta". Contactados pelo M&P, os responsáveis da cerveja Tagus preferiram não comentar esta iniciativa junto do ICAP.

A campanha criada pela Lowe & Partners, que arrancou em mupis, pretende divulgar uma comunidade online que, e de acordo com o comunicado de imprensa distribuído à data, "vai ser a porta de entrada no mundo hetero". João Nuno Pinto, director de marketing de cervejas, águas e sumos não carbonatados do grupo Sumol, explicava no mesmo comunicado que, "de uma forma disruptiva, vamos baralhar alguns dos clichés existentes na sociedade e criar uma comunidade que se orgulha de ser heterossexual estabelecendo relações no site www.orgulhohetero.com".

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Mais críticas

A associação Panteras Rosas criou entretanto uma campanha online que pretende ridicularizar com o conceito desenvolvido pela Tagus. Segundo explicou ao M&P Sérgio Vitorino, dirigente desta associação de defesa dos direitos LGBT, a Panteras Rosa decidiu avançar com a iniciativa depois de receber várias mensagens "de pessoas que se sentiram agredidas nas ruas com esta campanha". "Temos de nos perguntar porque é que a Tagus decidiu pegar num tema como o Orgulho Hetero e não no Orgulho Branco ou no Orgulho Macho". Para Sérgio Vitorino, "decidiram fazer uma brincadeira, mas não há equivalência entre orgulho gay e orgulho hetero. O orgulho hetero não tem de ser afirmado", já que "além de ser hegemónico", faz parte da "linguagem de um partido de extrema-direita". Sérgio Vitorino sublinha ainda que "o orgulho hetero no extremo significa a violência sobre os homossexuais". "O lucro e a publicidade não justificam estas coisas", refere.

Outra voz contra a campanha da Tagus veio de João Teixeira Lopes, dirigente do Bloco de Esquerda. "O incitamento ao orgulho hetero caminha lado a lado com a linguagem do ódio e esconde o que, desde há milénios, significa a opressão ou a pura eliminação de todos os que ousaram tornar públicas as suas opções sexuais", considera o ex-deputado num artigo publicado ontem no site Esquerda.net, que remata, afirmando que "a cerveja Tagus tornou-se um signo do poder homofóbico. Quem a beber é cúmplice".

 

 

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